Polícia Civil divulga novas informações sobre prisão de policial suspeito de esquema de roubos de carros na Baixada Maranhense
Segundo a polícia, esta é a quarta vez que o policial militar é detido sob suspeita de participação em esquemas envolvendo roubo de veículos de locadoras. Outros dois suspeitos apontados como integrantes da quadrilha seguem foragidos. De acordo com as investigações, os presos fazem parte de um grupo criminoso especializado em aplicar golpes contra locadoras de veículos. A quadrilha atuava principalmente de duas formas: vendendo carros alugados como se fossem próprios e simulando assaltos para recuperar os veículos depois da venda.
A polícia apurou que os criminosos alugavam os automóveis e, em seguida, comunicavam às locadoras um falso roubo. Após isso, retiravam os rastreadores dos veículos e levavam os carros para cidades do interior do Maranhão, onde eram vendidos como se fossem veículos financiados, conhecidos popularmente como “finan”. Depois da venda, o grupo ainda simulava um novo assalto para retomar os veículos das vítimas.
Golpe com veículo roubado
Segundo a investigação, os dois presos, juntamente com outros dois comparsas, aplicaram um golpe envolvendo um Fiat Argo branco pertencente a uma locadora. O carro foi roubado e teve o rastreador retirado. O veículo foi levado para o município de Matinha, na Baixada Maranhense, onde foi vendido a duas vítimas, que pagaram um valor de entrada e assumiram o compromisso de arcar com supostas parcelas do carro.
Após concretizarem a venda, os suspeitos pediram uma carona às vítimas até um ponto de táxi na cidade de Viana. No entanto, segundo a polícia, outros integrantes da quadrilha estavam monitorando a movimentação. Pouco depois de deixarem os suspeitos no ponto de táxi, as vítimas foram abordadas por dois criminosos armados que anunciaram o assalto e roubaram novamente o Fiat Argo, que já havia sido substituído pela locadora no dia anterior em São Luís.
As prisões ocorreram após a Polícia Civil de Miranda do Norte receber uma denúncia anônima informando que integrantes da quadrilha estariam passando pela cidade. Segundo a informação, os dois suspeitos que haviam atuado como vendedores estavam em um táxi vindo de Viana com destino a São Luís. Havia ainda a suspeita de que o grupo poderia estar planejando assaltar o taxista, que possivelmente estaria sendo mantido sob ameaça durante a viagem. Diante da denúncia, os policiais realizaram diligências e conseguiram prender os dois suspeitos.
As investigações seguem em andamento para identificar todos os integrantes da organização criminosa. A Polícia Civil também apura a possível participação de outros policiais militares no esquema, incluindo a suspeita de um segundo PM envolvido nas ações do grupo.
Histórico do policial
O soldado Rafael Carlos Viana Maia, que era lotado no 1º Batalhão da Polícia Militar (1º BPM), já responde a dois procedimentos administrativos, incluindo sindicâncias de caráter demissório. Ele também está sendo ouvido em outro inquérito em andamento. A última prisão do policial havia ocorrido no dia 3 de fevereiro deste ano, quando ele foi detido em flagrante com um veículo roubado na região de Miritiua, em São José de Ribamar, na Grande São Luís.
Na ocasião, equipes do Grupo Tático Móvel (GTM), com apoio do 40º Batalhão da Polícia Militar, localizaram um Chevrolet Onix branco com registro de roubo circulando pela Avenida General Arthur Carvalho. Após acompanhamento tático, o carro foi interceptado na Estrada Velha da Raposa. Durante a abordagem, os policiais confirmaram no sistema que o veículo era roubado e que o motorista era um policial militar. O automóvel foi apreendido e o PM preso em flagrante.
As investigações apontam que um suposto “laranja” seria responsável por alugar os veículos nas locadoras, enquanto o policial retiraria os rastreadores e levaria os carros para outras cidades ou estados para serem vendidos.
Risco dos veículos “finan”
Segundo a polícia, carros conhecidos como “finan” — ou “NP” (não pago) — são veículos financiados cujo pagamento foi interrompido, muitas vezes envolvendo fraude e uso de “laranjas”. A compra desse tipo de automóvel pode resultar em busca e apreensão judicial do veículo, além de configurar crime de receptação, previsto no artigo 180 do Código Penal. A Polícia Civil segue com as investigações para localizar os demais integrantes da quadrilha e esclarecer a extensão do esquema criminoso.


