Família por trás do Instituto Viver que já movimentou mais de R$ 254 milhões em contratos com prefeituras do Maranhão

O Instituto Viver, entidade registrada sob o CNPJ 21.851.634/0001-28, recebeu em apenas cinco anos mais de R$ 254 milhões em recursos públicos de 26 prefeituras maranhenses, segundo dados oficiais do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA). A instituição, que se apresenta como organização sem fins lucrativos, acumula mais de R$ 400 milhões em contratos ativos com administrações municipais, despertando questionamentos sobre a origem de tanto poder e influência.
Criado em 28 de outubro de 2014, o Instituto Viver teve como primeira presidente Márcia Valéria de Ribeiro Lins, tendo como diretoras Sheyla Yonara Dantas de Farias e Pamella Gabriella Melo da Rocha. O endereço inicial constava na Avenida Daniel de La Touche, Cohama, em São Luís. Poucos anos depois, a entidade passou por uma série de mudanças de endereço, indo para o Jardim Renascença e, posteriormente, para o bairro Turu, onde permanece atualmente.
O verdadeiro controle do Instituto, no entanto, passou a ser exercido pelo casal Enio da Silva Rocha e Sheyla Yonara Dantas de Farias, acompanhados da filha Pamella Gabriella Melo da Rocha. Em 2019, Enio foi nomeado “representante legal” da entidade, com poderes amplos e irrestritos para participar de licitações, assinar contratos e movimentar recursos públicos. Documentos registram que ele recebeu autorização formal para “formular ofertas, lances, recorrer, assinar contratos e substabelecer poderes a terceiros”, configurando uma atuação praticamente ilimitada em nome do Instituto.
A partir da entrada de Enio Rocha na direção, o Instituto Viver multiplicou seus contratos milionários com prefeituras do Maranhão. Inicialmente criado com o propósito de intermediar a contratação de médicos especialistas, o Instituto se transformou em uma máquina de terceirização de mão de obra pública, atuando em diversas áreas e levantando suspeitas de uso político-eleitoral e irregularidades fiscais.
Levantamentos no Sistema de Acompanhamento de Contratações Públicas (SACOP) e no SINC-Contrata confirmam que, entre 2019 e 2024, o Instituto firmou dezenas de contratos de grande valor com prefeituras de diferentes regiões do estado. Desses acordos, mais de R$ 254 milhões já foram efetivamente pagos e transferidos para as contas da entidade.
Atualmente, conforme registros da Receita Federal, o Instituto Viver está em nome da assistente social Isabelle Martins Ferreira Barros e da contadora Gabrielle Martins Barros. Apesar da nova composição formal, os documentos cartoriais e o histórico de gestão indicam que a família formada por Enio da Silva Rocha, Sheyla Yonara Dantas de Farias e Pamella Gabriella Melo da Rocha continua sendo a verdadeira proprietária e controladora da organização.
O CNPJ da entidade registra como atividade principal “atividades de associações de defesa de direitos sociais”, mas o Instituto Viver possui 31 atividades secundárias, que vão de “serviços de prótese dentária” a “impressão de livros e revistas”, o que amplia as suspeitas sobre a amplitude e natureza das operações realizadas.
Em dezembro de 2022, Sheyla Yonara concedeu procuração com poderes plenos a quatro novas representantes: Rossana Karen Bezzera Correa, Luidmila Silva de Freitas, Anne Jakelyne Silva Magalhães e Jennifer Andressa Abreu Pinheiro, permitindo a continuidade dos contratos e da participação em licitações públicas em nome da entidade.
Com tamanha estrutura, diversidade de atividades e cifras milionárias envolvidas, o Instituto Viver se consolidou como uma das organizações mais influentes nas contratações públicas do Maranhão, sendo administrado, em essência, por um grupo familiar que acumulou poder e riqueza a partir de contratos firmados com dezenas de prefeituras.
Por- Afonte.