Uma idosa identificada como Doracy, de 70 anos, foi expulsa de sua residência no município de Pinheiro, na Baixada Maranhense, após decisão judicial que determinou a retirada dela e da família do imóvel. O caso teve origem em 2009, quando ela tomou emprestado R$ 5 mil de um credor local, que alega ser agiota. Segundo a defesa da idosa, os juros abusivos e cláusulas ilegais transformaram a dívida original em um montante impagável.
Doracy afirma já ter pago mais de R$ 50 mil ao credor, mas mesmo assim foi processada e despejada. Ela relata ter sido ameaçada e agredida fisicamente pelo homem, que também teria pressionado para que ela assinasse documentos sem compreender seu conteúdo.
O despejo foi cumprido por oficial de justiça acompanhado de policiais militares. Na ocasião, Doracy, seus filhos e um neto foram obrigados a retirar os móveis às pressas, sem saber para onde ir. A casa, registrada em nome do falecido marido da idosa, foi entregue ao credor sob alegação de compra e venda — o que a defesa contesta como fraude.
“Trata-se de um contrato nulo, simulado para encobrir uma operação de agiotagem. Não houve consentimento real da proprietária, que é idosa e vulnerável”, afirmou o advogado da família. “Isso configura crime de usura, abuso de confiança e exploração de vulnerabilidade.”
Moradores da região confirmam que a situação é conhecida e gerou indignação. “Ela sempre foi uma pessoa tranquila, trabalhadora. Nunca imaginamos que isso pudesse acontecer com ela”, disse uma vizinha. Outro morador relatou: “O agiota andava por aqui com cara de dono da rua. Todo mundo sabia, mas ninguém fez nada.”
A família agora busca reverter a decisão judicial e pede apoio institucional para garantir moradia emergencial e proteção à idosa, que segue sem teto e em estado de vulnerabilidade extrema.
As autoridades locais ainda não se manifestaram oficialmente sobre o caso.
