A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação complexa em torno de um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 50 milhões dos cofres públicos do Maranhão, especialmente da área da educação. Entre os principais alvos da Operação Lei do Retorno estão o ex-prefeito de Caxias e atual secretário estadual da Agricultura, Fábio Gentil, e sua namorada, a deputada estadual Daniella Jadão Cunha (PSB).
O caso veio à tona em janeiro de 2022, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu R$ 575 mil em dinheiro vivo dentro de um Toyota Corolla. O valor estava com intermediários do suposto esquema e foi identificado como parte de um sistema de pagamento de propina.
A operação foi deflagrada no final de agosto com uma primeira fase que cumpriu 45 mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de carros, joias, R$ 54 mil em espécie e um cheque de R$ 300 mil. Na segunda fase, com 94 mandados, o total apreendido subiu para aproximadamente R$ 2,5 milhões, entre dinheiro, cheques e bens.
Segundo os investigadores, Gentil e Daniella teriam tido papel central em contratos direcionados com empresas envolvidas nos desvios. Há indícios de que o dinheiro fosse entregue a um servidor municipal, que o repassaria ao casal como propina. O veículo usado para transportar o dinheiro estava registrado em nome da mãe da deputada, e um dos ocupantes era tio dela — circunstâncias que reforçam os indícios de conexão com os investigados.
Além disso, a PF registrou mensagens sugerindo que Daniella teria intermediado contratações em vários municípios. Documentos também indicam que o pai da deputada teria recebido R$ 170 mil, sendo R$ 70 mil em conta e R$ 100 mil destinados à compra de um veículo por meio de concessionária.
Segundo a PF, a organização criminosa não agiu apenas em Caxias, mas em diversos municípios maranhenses. Estão sendo investigados crimes como formação de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro, crimes que, somados, podem levar a penas superiores a 52 anos de prisão.
Fábio Gentil, por meio de sua assessoria, nega envolvimento e declara que vem “colaborando integralmente com as autoridades” e confia no trabalho da PF e da Justiça Federal.
Daniella Cunha classificou as acusações como “absurdas” e enfatizou que “a ausência de provas reforça que não há qualquer indício de irregularidade em minha conduta”. Também afirmou que sua equipe jurídica está acompanhando o caso, e que ela segue com “consciência tranquila” e compromisso com a legalidade.
Resumo em tabela
| Elemento | Detalhes |
|---|---|
| Início da investigação | Apreensão de R$ 575 mil pela PRF em janeiro de 2022 |
| Escopo financeiro | Estimativa de desvios de ~R$ 50 milhões |
| Operação | Lei do Retorno – deflagrada em agosto de 2025 |
| Investigados principais | Fábio Gentil (ex-prefeito e secretário) e Daniella Cunha (deputada) |
| Indícios | Entregas de dinheiro a intermediários e contratos suspeitos |
| Possíveis crimes | Corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes e peculato |
| Status de defesa | Ambos negam irregularidades e afirmam colaborar com a investigação |
